Ainda ontem





Ainda ontem eu vi seu rosto na janela daquele velho edifício. Mesmo de longe, pude ver seu sorriso. Impossível não percebê-lo: é ele que ilumina e encanta os meus dias. Demoramos o que pareceu uma eternidade nos olhando, mas na verdade passaram-se poucos segundos.

Já estou descendo, você me informou. Ouvi quando seus passos apressados pisoteavam a escada e também quando abriu num átimo a porta de vidro. Mais uma vez nos detivemos frente a frente, nossos olhos numa espécie de ímã. É engraçado, mas depois de tanto tempo a magia ainda se faz forte entre nós.

De mãos dadas fomos andando pelo estacionamento, sem destino. Nesse exato momento o mundo pareceu coberto por uma fina camada do que mais parecia uma espécie de bolha de sabão. Não qualquer mundo; somente o nosso.

A partir daí risos, abraços e beijos foram dados, sentidos, trocados sem nos importar o que o resto do mundo estava pensando.  Nosso foco era o Norte. Demo-nos as mãos e seguimos em direção a mais uma daquelas noites inesquecíveis.

Fizemos planos, sonhamos juntos. Os dias mais preciosos são aqueles que levam consigo minha gargalhada estridente e o calor de sua pele. Não há um segundo sequer onde isso nos cansa. Ao contrário: desejamos sempre a presença inconfundível um do outro.

O tic-tac do relógio – do seu! – nos lembrou que o dia tem somente vinte e quatro horas, portanto, já era o momento de ir. Não sem antes rimos mais uma porção de vezes e declararmos sem palavras nossos sentimentos.

Um dia se foi só para vermos nascer outro. E outro. E mais alguns. 



Texto atualizado: O Capitão

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