O meu é agora
Acordei hoje e saí para trabalhar pensando no que me tornei. Sim, sim. No que me tornei e não em quem eu me tornei. Ainda acredito no amor e respeito muito a família, mas já não sou uma criança inocente que brinca de bonecas e sonha em conhecer um lugar distante. Tampouco sou aquela jovem adolescente que idealiza um príncipe encantado e cola cartazes com fotos de atores no quarto. Sou mulher feita, que sonha, mas que vive cada dia com os pés firmes no chão; que luta por aquilo que quer e defende o que acredita; que batalha para se mostrar sempre disposta a tudo. Mas já não escondo minha sensibilidade. Não sou mais aquela fortaleza que era sempre inabalável diante de todas as situações. Hoje me sinto plenamente humana e, agora sim, mulher de verdade. Medos, frustrações, emoções, sonhos, amor tudo isso num único turbilhão, todos os dias. É isso o que agora sou. Não escondo mais que tenho vontade de passar o resto da minha vida com o meu amado nem que quero formar uma família. Ok, quem me conhece sabe que eu nunca pensei nisso, mas sou feita de carne, osso e sentimentos, e esses mudam conforme as fases são vividas. Hoje estou passando por uma dessas mudanças de comportamento. Planejo futuro, penso em casa, cachorro, velhice a dois. Agora só quero coisa macro, mega. Estabilidade é a bola da vez. E na verdade esse sempre foi o caminho certo, não? Equilíbrio em todos os seguimentos de nossas vidas. E é isso o que sou agora: uma pessoa o tempo todo em busca de seu passo correto. Saber dosar o que se fala e também o que se sente. Saber perdoar aquelas pessoas que não sabem o quanto me machucam. Saber amar mais aquelas pessoas que me amam. Saber olhar para frente sem lamentar o que passou. Onde se aprende isso? Alguns dizem que com a vida. Eu prefiro pensar que é exatamente com o que a gente espera dela. Seja como for, cada um tem o seu momento. O meu é agora.
P.S.: ainda hoje na academia eu li uma matéria de um psicólogo falando sobre a “mulher-maravilha”. Ele usa esse termo para designar mulheres que, assim como eu, não se permitem falhar. Quando isso acontece, a sensação de esgotamento é inevitável. Pois bem, já tem algum tempo que eu tenho pensado sobre isso, mesmo sem saber. Realmente assumir que falhamos como filho ou como profissional é algo extremamente ruim. Entretanto, aceitar que o erro é algo inerente ao nosso ser e saber contornar a situação faz parte de um aprendizado que é individual. É só não ter medo de assumir e partir para uma dosagem correta das coisas. Estou tentando exigir menos de mim e isso eu já considero uma grande melhora.
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