Confusão
Letargia. Estado profundo de sonolência. Desânimo. Muitos dias têm sido assim. Algumas noites também. É inevitável. Sei que eu deveria lutar contra isso, mas me sinto tão apática quanto Stonehenge. Eu deveria ser mais paciente e tolerante, mas o estresse me consome; deveria ser mais amorosa com meus entes queridos, mas há o abismo do cansaço; eu sei que deveria ouvir mais meus amigos, mas o destino é tão birrento e sempre dá um jeito de nos afastar de quem amamos.
Os últimos dias foram de profunda e infundada tristeza. Eu não consigo sair, ainda que tenha consciência que não vale a pena estar. Nenhuma palavra diminui o sentimento de que nada dará certo. Eu, sempre otimista, me vejo num profundo mar de negativismo. Acho que cansei – por esses dias – de pensar que tudo dará certo no final. Muitos judeus pensaram no melhor final, após o Holocausto e se safaram. É, eu sei.
Eu sei tantas coisas, mas me vejo perdida da ignorância. Não sei o que serei ou onde estarei daqui a alguns anos, nem se terei filhos e uma velhice tranqüila. Mas ainda não é isso o que me consome. Sinto-me impotente diante de minha própria vida. Meu cabelo cresce, minha cidade fica cada vez mais poluída, estou chegando aos trinta e não tenho nada. Pior: tenho a impressão de que não terei nada.
Tenho dito muitas dores de cabeça, mau humor, vontade de ficar só, falta de apetite e de sono. Entretanto, eu sei que tem alguma coisa errada. Talvez seja saudade de quem está longe ou só uma parte do meu espírito que sofre de algum mal desconhecido. Recebo ordens e as cumpro; raramente me passa pela cabeça negá-las. Sabe de uma coisa? Estou muito cansada disso. Ouço as pessoas reclamando o tempo todo e temo ficar como elas. Na verdade eu tenho medo de ficar só. E estou me sentindo tão assim...
Os dias vão passando e eu percebo um envelhecimento do meu corpo; algumas ruguinhas começaram a aparecer e sinto dores nas costas. Isso talvez não signifique nada. Ando mesmo é desestimulada. Não saio ao sol nem olho a lua; não tem como fazer isso onde moro. Tenho tantas perguntas... Sinto-me desesperadamente só. Essa é a verdade. Não sinto o amor, nem os abraços. Não há nada manifesto ao meu redor. Estou desamparada ou é coisa de minha cabeça? Deus, cadê meu pedaço de céu?
Cansei de esperar. Cansei de fingir. Cansei de escrever. Simplesmente cansei...
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