Desafio de Aniversário


Dia 29/11 foi o meu aniversário de 30 anos. Passei mais da metade da minha vida achando que não passaria dos 19 e agora me encontro planejando o futuro para décadas à frente.

Resolvi me presentear com uma corrida inédita na minha vida: 15k. Um longão de verdade, na trilha do Parque Metropolitano de Pituaçu. Foram 500m para cada ano de vida.

Na verdade, essa ideia de retrospectiva foi uma brincadeira que surgiu na hora, mas que me fez realmente reviver situações e emoções do passado, e acompanhar - através dos olhos da mulher de trinta - a evolução de uma sagitariana de sangue quente e otimismo extremo.

Entre 1984 e 2014:

500m (1 ano) - 0:05. Do nascimento aos primeiros passos.

1k (2 anos) - Primeira ida à escola.

1,5k (3 anos) - Quando estiver idosa talvez me lembre dessa época.

2k (4 anos) - Memória igualmente apagada.

2,5k (5 anos) - Primeiro livro ganho. Formatura da alfabetização onde eu fazia o juramento.

3k (6 anos) - Viagem muito louca no Chevette azul marinho do meu pai; saímos da Bahia rumo ao Piauí e me pareceu, na época, anos de viagem.

3,5k (7 anos) - Eu, minha mãe e meu irmão cantando "Andança" sobre o capô do Chevette azul. Formatura da minha mãe e eu num vestido verde de bolinhas. Uma Barbie noiva de presente do meu irmão.

4k (8 anos) - Perdi o meu irmão e foi quando a vida começou a ficar mais real.

4,5k (9 anos) - Meu primeiro diário: rosa e com cadeado em forma de coração. Assisti "O Rei Leão" pela primeira vez.
5k (10 anos) - Férias na casa dos meus avós.

5,5 k (11 anos) - Vôlei e a minha primeira medalha (de bronze) no esporte. Minha primeira ida ao cinema.

6k (12 anos) - Li "Mariana" pela primeira vez. 2ª medalha no vôlei e primeira de ouro.

6,5k (13 anos) - Mudança de escola: do interior para o centro da cidade. Segunda medalha de ouro no vôlei.

7k (14 anos) - Abandonei o vôlei. Um ano de teatro. Primeira Comunhão.

7,5k (15 anos) - Festa de 15 anos azul. Azul, porque sempre amei azul.

8k (16 anos) - Finalizando o terceiro ano e preparando para fazer vestibular.

8,5k (17 anos) - Primeira faculdade: Educação Física, na UCSal. Conheci pessoas que eu tenho até hoje.

9k (18 anos) - Primeiro teste de personalidade. Primeiro emprego.

9,5k (19 anos) – Início da segunda faculdade: Fisioterapia, na Unijorge.

10k (20 anos) – Primeira decepção amorosa.

10,5k (21 anos) – Carteira de motorista.

11k (22 anos) – Ano bem chatinho. Nada de memorável.

11,5k (23 anos) – Perda da minha cadela do coração.

12k (24 anos) – Perda do meu avô. Perda do meu primo querido. Formatura. É... não foi um ano fácil.

12,5k (25 anos) – Primeiro emprego em clínica. Conheci o William, o homem que amei assim que vi.

13k (26 anos) – Primeira cirurgia.

13,5k (27 anos) – Primeiro grande passo importante na vida: casamento. Início do meu trabalho com o Pilates.

14k (28 anos) – Construção da nossa casa. Casamento civil. Primeiro Natal em nossa casa.

14,5 (29 anos) – Desafios na carreira. Primeira viagem à Chapada Diamantina. Início das corridas. Primeira prova de 5k. Primeira medalha em corridas. Adoção da Bia. Adoção da Brisa.

15k (30 anos) – Em construção.

À medida em que os metros se transformavam em quilômetros, fui tomada de emoções tão intensas e percebi que, por mais que uns dias tivessem sido ruins, eu tive muitos dias ótimos. Nasci numa família louca, mas honesta. Conheci pessoas maravilhosas. Convivi em ambientes tão diferentes de mim mesma. Tive a oportunidade de conhecer e amar um homem maravilhoso e que me faz dar o melhor de mim.

A cada ano vivido fui moldando a minha personalidade conforme a intensidade dos tapas e dos beijos do destino. A cada ano vivido, fui me despindo de preconceitos e me vestindo de certezas. Fui aprendendo a abrir mão das coisas banais, a lutar pelo que quero e a preferir ter paz ao invés de ter razão. A cada ano vivido fui entendendo mais os conselhos dos meus pais. Fui experimentando e colocando em prática princípios que me acompanham todos os dias da minha vida e dos quais eu não abro mão. Fui realizando um sonho e já sonhando outro, porque a vida precisa dessa força para se mover.

O caminho da corrida de ontem – assim como é na vida – era cheio de altos e baixos, de cascalho e de muito sol. Mas a cada passo dado, eu me sentia mais forte, mais madura e mais capaz de terminar o percurso. E me senti realizada ao longo do caminho. E muito, muito feliz por ter chegado tão longe.

O desafio de aniversário de ontem foi um ato simbólico, mas que significou muito mais do que eu mesma teria imaginado. Não é fácil olhar para trás e não saber o que verá. Mas, no final das contas, é com o coração repleto de serenidade que eu digo que fiz o que tive que fazer, como pude fazer e não mudaria nada do que foi feito. Não sei quem eu seria SE ou quem eu serei SE, mas com total convicção posso afirmar quem sou hoje e isso me deixa repleta.

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