Apaixonando-se

Todos nós temos diversos tipos de amigos, não? O doido, o CDF, o beberrão, o comédia, o sério. Enfim, é uma pluralidade que nos surpreende. Eu, por exemplo, tenho variados tipos de amigos e amigas, e uma delas me chama bastante atenção. Ela me liga de manhã cedo e pergunta: "Está dormindo?", eu lhe digo que acabara de acordar e ela resmunga "Affff... acordei 5h da manhã, já banhei, comi, peguei o ônibus da empresa e trabalhei pra caramba, e você ainda dormindo?!". Bom, eu a amo. A perdoo por isso.

No MSN não tem mais nada de interessante, eu quase saindo e ela entra: "Colé, véi". Eu lhe respondo que já estou de saída e ela me diz: "Ahhhhhhhhhhhhhh... acabei de entrar de você vai embora? Vai, não. Fica, por favor". Eu sempre fico. Sempre cedo.

De tarde, num sábado, ela liga: "Tá ocupada?". Eu lhe respondo: "Mais ou menos. Estou com meu bem. Aconteceu alguma coisa?". A resposta vem de imediato: "Não. É que estou com 500 minutos e só posso gastar ligando pra Oi. Como não tenho pra quem ligar, ligo pra você". E eu converso com ela sobre as coisas mais bestas do mundo. Sempre.

Mas de todas as coisas mais engraçadas dela (além do fato dela sempre dormir quando vamos ver filme em sua casa), o fato de gostar de alguém e não se envolver depois é algo que deve ser estudado. Ela me diz: "Estou saindo com fulano" (geralmente existe uma sequência de nomes pros relacionamentos dela. Ex: Luís - Luís - Luís. Ou Gustavo - Gustavo - Gustavo. Aí eu pergunto "É Bernardo que tem piercing?". "Não, Carol. É o que tem tatuagem na panturrilha esquerda". "...").

Quando ela me diz que está saindo com alguém, eu fico num misto de felicidade e ansiedade, me perguntando quantos dias essa empolgação vai durar. Mal acabo de pensar, ela me diz: "Eu até gosto dele, mas ele me liga 2 vezes por dia. Eu não aguento isso!". Pronto. Lá se foi minha felicidade em vê-la com alguém.

Ela me chama de romântica. Sim, sou de fato. Mas antes disso eu acredito em relacionamentos duradouros. Enfim, ela não.

Há umas semanas ela me disse que está apaixonada e que ele será o pai de seus dois filhos. "Ele não é lindo, sabe? Mas me tira do eixo". Eu lhe respondo: "Ahn ran...". Já ouvi essa mesma conversa mil vezes.

Não. Ela não é fácil ou inconstante. Ela só tem medo de se envolver. Um bom exemplo de pessoas que têm medo de sofrer e acabam preferindo "não pagar para ver". Isso é uma boa defesa, sem dúvida. Mas até quando não deixar nos amarem nem nos permitirmos amar alguém é algo realmente bom? A queda faz parte. A desilusão, a decepção, a frustração. Tudo isso nos faz crescer, nos amadurece. Mas, sejamos francos, não é tudo sofrimento. Há a parte boa do relacionamento: alguém em quem confiar, que confia na gente; alguém para partilhar nossos melhores e piores momentos; alguém para nos tirar o fôlego ou para nos matar de raiva (em alguns casos).

Sou a favor de se apaixonar quantas milhões de vezes forem necessárias até se encontrar seu par verdadeiro (ainda acredito nessa história de que existe uma pessoa ideal para nós). Nos últimos meses também estou a favor das breguices dos apaixonados, da felicidade sem limites só por ver quem a gente gosta.

Adoro coisinhas de amor, bregas, cafonas, eternas. Mas talvez isso seja algo meu. Infelizmente não posso dizer a essa amiga - que me é muito querida - o quanto é maravilhoso dormir agarradinho com quem a gente gosta e acordar com uns tais braços sobre nossa cintura. Os braços que adoramos. Não posso lhe dizer o quanto é gostoso receber torpedinhos de madrugada ou até mesmo ligações na hora do trabalho dizendo que "já perdeu a conta de quantas vezes pensou em mim".

Infelizmente não posso dizer a essa minha amiga - nem às outras pessoas que sofrem desse mal - o quanto é bom ser um par.

Estou on line agora. Esperando novidades sobre "o pai dos dois filhos". Sinceramente, ainda espero que seja dessa vez. Quem sabe?




Abraços e azul para todos!









Comentários

  1. E é assim mesmo. Ficamos ali, desejosos que as nossas pessoas mais proximas possam desfrutar do bem que descobrimos, do bem que nos permitimos nos atingir.

    As boas-novas por parte dos que se permitem são sempre semente no coração daqueles que se enveredam pelo caminho do medo, e da desconfiança. Semeai, semeai!

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  2. É isso mesmo, amor. Quando se está feliz, há na gente uma necessidade de que as pessoas que amamos sintam o mesmo. Infelizmente não é sempre isso o que acontece. Daí a sensação se sermos os bobos, os únicos tão felizes do mundo.

    Mas torçamos para que nosso sentimento bom se espalhe entre nossos mais queridos parceiros; vivamos de luz e sejamos luz.

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