No supermercado




Andando no supermercado, comecei a “viajar” sobre como a pessoa é (sua personalidade) a partir do que está comprando.


Por exemplo: um casal de meia idade leva consigo muitas frutas, verduras, azeite (controle de diabetes, hipertensão, artrite) e sempre leva coisinhas de crianças, logo tem netos.

Um casal jovem no começo de namoro sempre compra bobagens: Doritos, Cheetos e afins; refrigerante, chocolate.

Filhos: não vão ao supermercado, só sob pressão.

Filhas: xampu, condicionador, sabonete líquido, esmalte. Só produtos de higiene e beleza.

Homem só: deve ter mais de 20 anos de casamento. Resolve ir só porque a mulher deve ser consumista e enche o saco dele. No carrinho vai leite, arroz, feijão, carne. Tudo isso em quantidade.

Mulher só: o mesmo do item acima. Acha o marido um porre (não era assim quando namoravam) porque vive dando pressa e ela precisa escolher bem as verduras e a carne. É uma ótima dona de casa e quer sempre o melhor para seus filhos e marido.

Homem quarentão solteiro: comida congelada, enlatada, vinho. É só, não tem quem cozinhe. Talvez ele tenha vários encontros casuais.

Homossexual quarentão: comida para gatos. Muita comida para gatos. E vinho também. Geralmente é só também. Cansou da vida agitada e das raves. Ele quer paz.
Jovens com menos de 23 anos: sempre compram bebida. E aí vai de tequila, vodka, uísque, energético. A festa vai bombar!

Mulheres casadas: se tiver menos de 5 anos de casamento, encontra-se pacotes e mais pacotes de fraldas descartáveis, papinha de neném enlatada (ela trabalha fora), frutas. Muitas vezes o marido está levando o carrinho enquanto ela escolhe os produtos.

Idosos: compram mais de 11 itens e querem sempre passar no caixa para 10 itens no máximo. Vão andando lentamente com aquelas cestinhas, pegando 1 item numa sessão e largando-a na seguinte. Talvez a aposentadoria não lhes permita grandes luxos.


Enfim, fazer compras no supermercado pode proporcionar um excelente estudo antropológico. Ainda pensando nisso, me lembrei de um texto do Veríssimo onde ele dizia que se conhece a pessoa pelo lixo que ela produz. Bom, antes do lixo vêm as compras e ainda assim a gente já começa a ter ideia de como é a pessoa, apenas pelos seus gostos. Loucura ou falta do que fazer? Vai saber...



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