Cotidiano
Numa quarta-feira qualquer, abri o armário do banheiro e me deparei com sua escova de dente. Num primeiro momento aquilo me causou espanto; depois se tornou objeto de minha admiração. Era maravilhoso acordar e encontrar vestígios seus pela casa.
Desde que decidimos que passaríamos a vida inteira juntos (e desejando que a vida fosse tão longa quanto possível), os dias têm sido sempre maravilhosos. Nossas coisas misturadas, minha bagunça e sua eterna vontade de manter a sala em ordem; meu feijão e sua inabilidade na arte da cozinha. Era divertido pensar que agora éramos “um só”.
Passei alguns minutos frente àquela visão. Lentamente fui voltando à realidade. Estávamos juntos há algum tempo. Resolvemos isso numa sintonia impressionante. Sem aquela burocracia toda, fizemos um acordo só nós dois. Nada tão clichê quanto “na saúde e na doença... até que a morte os separe...”. Nosso acordo consiste em respeito. Basicamente. O restante vem com o tempo e com a própria convivência.
E daqui a pouco a música de Chico vai estar sendo encenada, inclusive. Já sinto que está.
ResponderExcluirTeu texto é lindo, por ser assim, tão real.
Beijo, Carol.
Em computadores diferentes, mas no mesmo cômodo.
ResponderExcluirLindo!