A Dança
Ontem eu assisti, pela enésima vez, "Patch Adams - O Amor é Contagioso". Na verdade só vi uns trechos. E um deles foi justamente a parte em que o Hunter lê - ou ao menos tenta - para a Carin um poema do Neruda chamado "A dança". É um dos meus favoritos também. Sem novidade, chorei de novo. Não pelo poema ou pelo amor deles, mas pela pelo fato de que ele tentou ler para ela várias vezes o poema completo e só conseguiu isso no seu velório.
A perda só é mais dolorosa quando a gente para e pensa nas coisas que deixamos de dizer, sentir, viver achando que faria isso num outro dia. Nunca fui melosa demais, apesar de ter sido sempre romântica demais, mas ultimamente essa questão do "não falar hoje" tem sido muito importante para mim. O que nos impede de dizer o que sentimos hoje? O amanhã também será passado, logo, posso falar o que quero hoje, agora. Na urgência do sentimento. No afã de que saibam o que eu sinto.
Eu sinto algo bom hoje e quero que todos saibam disso. Muitas vezes eu pensei que demonstrar era mais importante que sentir. Continuo achando isso, mas a verdade é que as vezes a vontade de gritar aos quatro cantos do mundo o que sinto faz com que eu perca completamente o medo de admitir. Sim, eu amo você. Sim, eu preciso de você. Sim, meu mundo tem mais cor, sabor e luz com você. Por você.
Abaixo o poema. Não sei exatamente o ano em que foi escrito, mas o amor é atemporal.
"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho".
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho".
Pablo Neruda
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