Felizes para sempre?
Sempre ouço a seguinte sentença: “quando namora é uma coisa, mas quando casa...”. Tenho me perguntado durante anos porque as coisas têm que ser assim. É algo passado de pai para filho, através das gerações? Ou simplesmente uma desculpa esfarrapada para justificar o comodismo ao qual todos os seres humanos parecem destinados?
Esse assunto é sempre presente entre minhas conversas com o meu bem: quando casarmos, seremos assim ou poderemos mudar? O diálogo passa a não existir depois do casamento, isso porque as pessoas acham que devem possuir umas às outras. MEU marido, MINHA esposa. E nada de conversas além do que diz respeito à casa. Passamos a viver pelo outro e esquecemos de nós mesmos. É necessário mesmo existir isso?
Chegamos à conclusão de que tudo isso é decorrente de dois fatores importantes. O primeiro tem a ver com o próprio namoro. A maneira como nosso relacionamento primário discorre, influencia muito na forma como será nosso casamento. É lógico que tudo pode mudar, mas a verdade é que, quando se mantém a privacidade quando ainda se namora, ela irá sobreviver sempre. Não é porque eu namoro, que eu vou deixar de ver meus amigos. A frequência muda, sabemos. Mas ainda assim deve existir. Isso nos faz sentir bem, livres. E essa liberdade nos une a quem amamos.
O segundo fator tem a ver com o diálogo como forma principal de resolver problemas. Todos os casais passam por crises; o que os diferenciam é a forma como cada um reage perante aos problemas. E a conversa deve existir em todo o tempo. Verbos importantes como compartilhar, dividir, negociar, abdicar são esquecidos ao longo da vida conjugal.
Com todos esses desequilíbrios, penso eu, a vida a dois está mesmo fadada ao fracasso. Cabe a nós mudar com ações. Muitas pessoas ainda se iludem com o famoso “e foram felizes para sempre”. A nossa história é escrita todos os dias e depende de nós, dos dois, a manutenção da harmonia. Deve ser mais do que um desafio; deve ser uma prática.


É algo como uma construção, embora pareça uma metáfora vagabunda. Com um bom alicerce toda a bela fachada e os cômodos, correm menos risco de desabarem.
ResponderExcluirTodos, ou talvez não todos, saibam os passos necessários para uma empreitada como um relacionamento entre um homem e uma mulher. E acredito que o alicerce esteja na própria liberdade, como você disse, por que ela nos une não por temor nem receio, mas por vontade. Também está na forma como responsabilizamos o outro pela oscilação do nosso ânimo, porque sempre culpamos ao nosso companheiro por nossa indisponibilidade ou mal humor.
Como sempre, muito coerente e lindo seu texto, mobain.