Ao lado
Acordo trêmula com o rosto encharcado de suor e o coração parecendo querer sair do lugar. Fito o teto sob os reflexos das luzes noturnas e posso jurar que existe alguém olhando para mim lá de cima. Tento manter a calma, respirando profundamente. Esses sonhos estão acontecendo com frequência e me assustam. Eles começam de maneiras diferentes, mas sempre terminam iguais: eu sentada em um banco de praça ou em uma estação de trem ou em um café no fim de tarde, esperando você. Vejo você caminhando em minha direção, meu coração palpita de alegria, fico nervosa por te ver e ansiosa pra te tocar enfim. Mas aí você olha para mim, dobra a esquina e desaparece em meio à multidão. Eu fico lá sentada, atônita, procurando saber se você tinha mesmo me visto. Daí eu acordo, olho pro teto com seus fantasmas, o suor grudando meus cabelos na nuca e o peito tão apertado que me falta ar.
Tenho tantos medos quanto sonhos. Tenho tantos sonhos quanto me é permitido ter. E eles sempre envolvem você, eu e um futuro lindo. Toda vez que desperto do pesadelo, olho para o lado e lá está você com a cabeça enfiada no travesseiro e o braço esticado sob o corpo. Só então eu me dou conta de que é tudo coisa da minha mente, gerada pela minha insegurança e minha vontade de nunca estar longe de você. Eu sei que vou sonhar com isso outras vezes até que tudo esteja em segurança. Enquanto isso esteja sempre do meu lado toda vez que eu acordar. Eu preciso do conforto dos seus olhos; eles me ajudam a continuar seguindo.

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