Meninices




Lendo um texto num blog que acompanho (o texto falava sobre sonhos de infância), comecei a pensar nos meus próprios sonhos de infância e cheguei à conclusão que sonhos são atemporais. E dinâmicos; acabe-se de sonhar uma coisa, tenta-se realizá-la; não consegue? Qual é o próximo da lista?


Justamente por isso comecei a relembrar de alguns trechos da minha infância (só aqueles que minha memória me permite reviver), comecei a rir de algumas coisas que eu queria e não tive. Não eram, por assim dizer, sonhos. Eram apenas vontades que nunca se concretizaram e que hoje me fazem rir de tão bobas que eram.


Eu morria de vontade de quebrar um pé ou um braço só pra pôr gesso, mas minha saúde de ferro devido ao leite made in fazenda de vô não me deixava quebrar nada. Eu me aborrecia com isso e ficava encantada quando algum coleguinha de escola chegava com o gesso todo rabiscado. Nunca escrevi no de ninguém. Que inveja!


Eu também sonhava com aquelas bonecas que patinavam, faziam xixi, pedalavam, sacudiam a cabeça e tantas outras coisas, que só faltava mesmo ter um coração batendo. Não. Não tinha taaaanta vontade assim em tê-las. Sempre preferi livros a qualquer outro presente. Tive que me conformar com isso.


Minha mãe diz que todo ano comprava, mas nunca me lembro das lancheiras escolares; aquelas caixinhas plásticas, lindas, com cheirinho gostoso, que vinham com o lugazinho para colocar o sanduíche, uma garrafinha térmica para o suco e uma toalhinha, para pôr tudo em cima. Não. Não me lembro de ter tido uma dessas. Nem parecida. Minha “segunda mãe” sempre levava o lanche, na hora certa, para mim. Ó, como eu me sentia diferente! Todos os meus coleguinhas com aquelas caixinhas coloridas, com cheirinho de tutti-frutti e eu com meu lanche caseiro entregue às moscas. Só por birra!


Sabe aquela boneca da Xuxa enorme? Que vinha com aquelas botonas pretas até os joelhos? Eu também queria, mas não me lembro de tê-la pedido aos meus pais. Só livros. Tinha o boneco do Fofão. Mas tu tinha medo. Havia tanta lenda urbana a respeito daquele, daquele... - que bicho que era o Fofão mesmo?! - enfim! daquele boneco, que eu morria de medo de ter um. Mesmo assim eu queria!


E eu queria ter um cágado e um cavalo como animais de estimação. Queria ter os óculos do Chaves e ir ao zoológico toda semana (coisa que hoje detesto!). Queria ser veterinária e viajar. Ok, continuo querendo viajar.


A gente sente tanta coisa a cada par de décadas e depois se esquece do que sentiu no dia anterior. Mas, como disse acima, os ciclos se encerram (ainda que não se fechem. Paradoxo, mas fácil de entender) e novos pensamentos ganham vida e novos horizontes de abrem.


Acho que é assim com todo mundo. Meu sonhos e vontades da meninice, por exemplo, deram lugar a sonhos de mulher e mais fáceis de serem realizados: casa com quintal e dois andares, Chile, Espanha, um amor para a vida inteira.


Mas continuo achando graça das coisinhas infantis que eu queria ter. Criar um cágado! Onde já se viu?!






Comentários

  1. Que coisa mais gostosa de ler! E mais ainda de ver quanta coisa parecida, no meio disso tudo.

    Fato é que consegui realizar a proeza de quebrar o braço! Haha. Não foi legal, viu? Percebi o quanto era boba essa ideia. E detalhe: não, não quebrei de propósito. [Ainda bem, Jaya, já ia desconfiar da tua sanidade]. Haha.

    Beijo, moça.

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  2. Hahahaha... pois é, Jaya! Você tirou as palavras do meu pensamento. Eu queria muito, mas hoje nem quero e nem posso. Sonho de criança, sabe? Passou. Hehehe...


    Abraçooos!

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