Por tanto...
Tenho tantas coisas para te falar nesses últimos dias. Nem sei como começar. Lembra de quando eu te vi pela primeira vez? Ah, não. Não lembra. Mas eu me recordo com invejável memória fotográfica: foi mágico! Um momento que eu lembrarei para sempre. E depois de tanto tempo ainda consigo recordar detalhes pequeninos de uma primeira vez que nem foi assim só nossa.
Lembro dos sonhos contatos pela primeira vez e também dos medos, do passado e de muitos fantasmas que carregávamos separados, mas que, a partir dali, passaríamos a dividir um com o outro. Sintonia. Talvez essa seja a palavra mais corretamente empregada entre a gente. É um tal de um entender o outro só pelo olhar. Até assusta.
Você esfrega sua barba na minha nuca enquanto eu cato gotas de chuva na janela. Você não consegue ver, mas eu sorrio. Sentindo-me a mulher mais feliz de todos os tempos, eu agradeço aos céus todos os dias ao seu lado. E peço mais um milhão de dias com colchão na sala e pipoca no cinema.
Enquanto escrevo isso, uma enxurrada de pensamentos me invade a mente, se atropelam esses tais. Nem dá para sentir que o tempo passou tão rápido. As lutas isoladas e conjuntas. As lágrimas minhas. E suas naquele dia em que você percebeu que me amava de verdade. E de novo as minhas agora por ter certeza de que tudo valeu a pena. Vale. Valerá.
E mais uma vez eu me recordo de um certo dia, num certo barco, na última cidade do Recôncavo. O silêncio falou por nós, lembra? O mundo parecia ter se esquecido de girar só para poder nos olhar, atônito. Era quase brincadeira. Mas sempre foi sério. Futuro, família, filhos e a velhice. Compromisso.
Todas as estações se repetindo. E nós continuamos sentados juntos, andando de mãos desgarradas e dormindo de costas um para o outro. Parece ironia, não?! Mas a realidade é que nos damos bem porque estamos dispostos a isso. Liberdade. O querer sem pressão, sem repressão, sem sufoco. O bem-amar por ser você, por ser eu. Somos melhores porque somos eu e você. Você me disse isso. Eu acreditei. Encantamento.
E há tanta coisa para relembrar! Minha ousadia. Sua convicção. Sua falta de jeito. Minha expectativa. Meu anseio. Sua entrega. A partir daí tudo deixou de ser “meu” ou “seu”. Nós. Somos. Juntos. E é por isso que eu te amo mais hoje. Como nunca antes. Certeza. E você vai continuar me mandando parar de tomar chuva. E eu vou continuar teimando. E eu vou continuar te achando sempre mais lindo. E você vai continuar querendo uma casa para nós dois. E um cachorro. Por mim seriam dois.

Eu vou lembrar sempre. Eu lembro de cada detalhe desse. Eu lembro do pedido de namoro. Eu lembro do seu vestido desbotado. Eu lembro do meu feijão fradinho quase queimado naquele primeiro sábado. E lembro de você dizendo que não tinha uma boa memória. Eu lembro de você me esperando na frente da farmácia. Eu lembro da cafungada ousada no meu pescoço no meio de um filme interessantissimo.
ResponderExcluirVoce ainda é meu primeiro pensamento quando levanto.
Bonito texto! Revelador. É muito bom a gente escrever o que sente, já que verbalizar é mais difícil. Parabéns pela coragem de externar o que é belo!
ResponderExcluirAh, Carol! Suspirei tanto lendo isso. E foi impossível não ler o comentário de Will, também. E misturar vocês. E desejar que as coisas sejam sempre tão mais lindas, aos dois. Essas magiazinhas delicadas do amor. Esse jeito encaixado de amar...
ResponderExcluirÉ lindo. Feliz vocês. Feliz esse romance, nega.
Beijo imenso.