Meca e Gaxeta
Nosso comportamento faz o nosso dia-a-dia. Todos nós temos responsabilidade absoluta sobre como será nosso amanhã. Pensando nisso, nossas atitudes devem condizer com aquilo que queremos para nosso futuro. Isso exemplifica bem o dito popular “plantar para colher”. Tudo o que fazemos e dizemos hoje refletirão, certamente, no dia seguinte.
O dia amanhece. A cama ainda está quente. Preguiçosa, desligo o despertador, dou uma espreguiçada lenta e olho pro lado. Você ainda dorme tranquilo. Levanto em silêncio para não te acordar e calço minhas pantufas de coelhinho que você me deu naquele nosso primeiro aniversário de namoro. Lembro bem do dia e rio. Porque você não mudou de lá pra cá: a diferença é que agora você não vai ao “baba” duas vezes por semana, somente uma. Nem eu, pra ser sincera. Ainda acordo com minha cara inchada e meu cheiro de sorvete de creme todos os dias. Olho outra vez pra você. É... Ainda fico sem palavras.
O dia insiste em me chamar para o labor. Ando em direção à cozinha e dou bom dia às nossas cadelas, Meca e Gaxeta. Elas me saúdam abanando o rabo com frenesi. Ponho a água do café no fogo. Sento na cadeira da cozinha, trajada com meu camisão de dormir e um pensamento que me acompanha desde que decidimos morar naquela casa: sou uma mulher realizada. Meca e Gaxeta ficam fuçando alguma coisa, enquanto eu arrumo a mesa para o desjejum e me fazem rir quando reclamo com elas por alguma bobagem. Você acorda e, ainda meio sonolento, vem andando até a cozinha. Ainda mantém o hábito de me beijar o rosto e perguntar como passei a noite. A resposta é sempre a mesma, há anos: “com você, todas as minhas noites são maravilhosas”. Você sorri. Aquele riso torto. Acaricia meus cabelos. Onde será que deixou os óculos dessa vez? Mais risos. Será possível todos os dias assim? Tomamos nosso café e partimos para a arrumação. Trabalho, dia fora, novidades.
Passo o dia recordando dos velhos tempos de namoro, onde a gente conversava sobre como agir em determinados tipos de situações. Eram conversas longas e tranquilas. Acho mesmo que nós já estávamos preparando um ao outro para nosso futuro convívio. Passávamos noites na varanda da casa dos meus pais ou no térreo do antigo edifício onde você morava, falando sobre comportamento, atitude, lealdade, amor, emprego, a casa dos nossos sonhos, os nomes das nossas cadelas. E você me dizia que não deveríamos ter mais de dois animais em casa. Por mim, ainda teríamos uma gata.
Chego em casa mais cedo e resolvo abrir aquela caixinha de recordações que você me presenteou no meu aniversário de 25 anos. Nela tem bilhetinhos, declarações de amor, instruções para uma vida a dois. E abro – pela enésima vez – o “cadernosso”, presente dado nos mesmo dia, naquele ano de 2009. O papel anda meio envelhecido, mas ainda exala o perfume daqueles tempos primeiros. Advinha? Eu choro. De novo. Tantos anos, não? E mais uma semente começa a ser plantada. E tantas coisas boas ainda estão por vir. É um eterno recomeço; a cada dia, a cada ano a nossa vida vai renovando os votos, enlaçando os corações e nos firmando como um par. Quando você volta para casa, nossas meninas vão te receber alegres e você me encontra no sofá, esticada. Senta-se ao meu lado, alisa minha barriga e me pergunta o que houve. Eu me limito a responder: “eu te amo para sempre”. Abraçados, subimos em direção ao quarto. A vida realmente tem sido maravilhosa.


Eu ainda consigo rir bobo quando leio os seus textos sobre nós. Mais verdade.
ResponderExcluirÉ assim mesmo, mozão. Gaxeta! Meca!
E pode aguardar meu texto pós-graduação sobre nós. Ele vem promissor.
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