Sonho a dois

Fica seu cheiro em meu lençol. Ele fica toda vez que você se aninha em meu peito nu e eu tento te cobrir o corpo, protegendo-o do frio. Você sempre fala que em minha casa as noites são mais frescas que na sua. E dorme tranquilo apoiando a cabeça no travesseiro, vestido com sua camiseta velha e aquela calça de moletom. Dorme um sono infantil, de sorriso nos lábios. Eu vejo isso toda vez. A luz do luar ilumina parte do seu corpo e eu fico encantada com sua respiração leve roçando minha orelha. Ajeito o seu cobertor e velo o seu sonhar.

Eu pareço estar vivendo o mesmo sonho que você. Corremos de mãos dadas por uma alameda florida. O céu é azul, as nuvens de algodão imaculado. Você me pergunta alguma coisa e eu respondo sorrindo. Chopin toca seu Notturno nº 2 e eu dedilho seu rosto. Seus olhos se fecham. O tempo ameaça parar. E para. Só para nos fitar.

Acho que estou contando algo engraçado, porque você solta uma gargalhada. Agarre-me a cintura e me gira no ar. Eu flutuo. Tudo parece estar em câmera lenta. Mas a verdade, amor meu, é que isso já dura muitos dias. Meses. Ano. Essa leveza desconcertante. Essa alegria constante. Esses meus pontos. Esses seus tantos.

E hoje em dia, já acordados e num mundo onde tudo parece ter pressa, nós vamos encontrando paz para arremessar pedras no lago. Para tomar banho de chuva e pisar nas poças. Para nos deitar na grama e ver o céu invadido por nuvens alvas. Para nos abraçar em frente ao mar, ouvindo seus suspiros e lendo uns versos que dizem: “assim te amo, porque não sei te amar de outra maneira”.

Comentários

  1. É assim simples e real o nosso viver, nosso relacionar, nosso amor. Eu me encanto conosco, me encanto porque parece que nos renovamos todas as manhãs, e os nossos sorrisos desabrocham todas as vezes que nos vemos, todos os dias. E um dia sem você é um dia comum, é um dia sem azul, sem riso.

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