Águas de maio...
Tudo dará certo. Sim, sim. Tudo, tudinho, absolutamente tudo!
Abaixo segue um soneto do Neruda tão apaixonante quanto perturbador.
Só assim poderia expressar como meu coração vê o mundo hoje.
A propósito nada de ilusões: adoro este poeta e tudo o que ele escreve. Logo, atentem à interpretação.
Áspero Amor
(Don Pablo)
Áspero amor, violeta coroada de espinhos...
Arbusto entre tantas paixões erguidas,
Lança das dores, coroa da ira,
Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os passos que te levaram a mim?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha casa?
A verdade é que tremeu a noite apavorante,
A aurora encheu todas as taças com seu vinho
E o sol estabeleceu sua presença celeste,
Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua,
Até que padecendo-me com espadas e espinhos,
Abriu meu coração um caminho ardente.
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