São João

Esse é o primeiro são João em 24 anos que fico só. Já passei outros em Salvador, mas sempre com a família. É engraçado que, mesmo tendo ficado aqui por causa do trabalho, eu não esteja nem um pouco triste ou deprimida. Essa ausência total se sentimentos ruins tem me assustado um pouco. Estou começando a achar que sou feita de granito ou coisa mais sólida. Diamante?

Quando era criança, adorava a época de são João porque ia pra casa dos meus avós. Sempre com aquele ritual de fogueira, comida junina e fogos (ainda odeio esses últimos). Eu adorava ir para lá ficar com meus primos e primas, contar histórias ao redor da fogueira e ver o tempo passar.

Vejo isso – como vejo toda a minha infância – com certa nostalgia. Na época meu vô estava vivo e parece que tudo fazia mais sentido com ele por perto. Nunca havia percebido o quanto ele importante, mas hoje me lembro com clareza dele indo pegar a árvore que fica atrás da fogueira (até hoje não entendo o porquê disso) e toras de madeira para acender a fogueira. Todo ano a mesma coisa, mas era uma rotina que eu adorava. Nossa! Era muito bom!

Mas hoje não dou mais importância a isso. Nem a muitas coisas, na verdade. Parece que tudo perdeu a simbologia e a graça. Não sei se um dia isso voltará, acho até mesmo impossível. Não quero perder meu tempo achando que algumas coisas que mudaram vão voltar atrás. Nada será como antes.

Por isso mesmo a solidão consentida que agora tenho não me espanta, aborrece ou aflige. Já tive muita coisa pra ter o que lembrar hoje em dia...

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