Renascência

Meu corpo é arte renascentista de
Curvas imperfeitas e
Tez muito alva.
Emana qualquer pensamento duvidoso
E simetria lhe falta.
Não é coisa cinematográfica
Mas sugere cuidado.
Cuidado!
Em qualquer protuberância rósea
Lateja, incansável, um
Mantra do tipo
"Compre Baton. Compre Baton".

Meu corpo de feias formas
Tem intensidade e urgência.
Arde à presença do seu
E queima só em te lembrar.
Meus músculos fortes
Desejam desarmar você,
Te colocar no chão,
Fraco, cansado.

E não me chame de má, pois
Meu corpo sôfrego
Me controla
E não há um poro sequer
Que não esteja dilatado
Esperando por sua língua.

E não há dias em que
Não acorde pensando
Na quantidade de ais
E bis,
E mais que vou querer.

Meu corpo é arte renascentista:
Faz-se feio, largo, desajeitado,
Contudo
Quente, inflamado, impaciente...
Meu corpo é pura reticência.

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