Ó, dúvida!
Quando eu era criança, a minha mãe perguntava para mim:
- Você ama a mamãe?
- Amo.
-Ama o papai?
-Amo.
-Quem você ama mais?
- ... (pense num bolo mental coberto com muitas, muitas interrogações).
Eu, sempre esperta, respondia que amava os dois da mesma forma. Mas a verdade é que com essa perguntinha maldita, a minha mãe cometia dois grandes erros: o primeiro era o fato de criar uma situação embaraçosa de pura pressão psicológica numa criança que ainda nem sabia o que era ‘amor’ (e talvez nunca aprendesse); o segundo corresponde a um “termômetro de sentimento”. Não existe esse aparelho, mas as pessoas insistem em querer criá-lo. Eu posso ter 40 primos, 74 tios, 7 avós e 1 milhão de amigos e, ainda assim, amarei todos diferentes. Meus pais também.
Bom, o que quero dizer é que não existe isso de amar mais ou menos e já falei isso aqui em outro texto. Hoje me lembrei dessas passagens da minha infância e resolvi escrever sobre elas. “Quem eu amo mais”... Seria mais fácil dizer “com que roupa eu vou?”. Sim, sim. Isso, pois, banaliza o sentimento. Rotula o amor. Dificulta o processo de convivência. “Eu amava mais o Geraldo, meu ex, que o Bernardo, o atual”. Qual a lógica dessa comparação? Ora! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Insistentemente eu ratifico: não existe passado ou futuro; ex ou atual; esse ou aquele. Se você gosta, tá gostado e pronto!
Mãe perdoe-me, mas isso me traumatizou. As pessoas são ímpares, singulares, particulares. E meu coração é grandão só para cabê-las. Nunca quis ser lembrada como “a que mais amei” ou “a filha, tia, prima, neta preferida”. Quero ser lembrada como sou, quem fui, quem serei. Cada um tem seu espaço no mundo, seu lugar na história.
Abraços!
“Prefiro que me amem ou me odeiem. Mais ou menos é o que me incomoda”.
Comentários
Postar um comentário