Ler ou não ler: sem opções.

Adoro ler. Simplesmente este é um dos – senão o maior – meus passatempos favoritos. Viver num mundo paralelo, ter emoções reais através de histórias criadas, baseadas em fatos ou não. Não consigo dormir direito antes de acabar um livro e geralmente emendo uma leitura após a outra.

Minha unida dúvida, no entanto, é até que ponto isso é saudável. Até quando é certo viver a vida de alguém, de um personagem. Como não deixar esse universo paralelo interferir em nossa vida “aqui fora”. Esse sentimento deve-se passar também no coração de quem escreve um belo romance. Eu me apego tanto aos homens e mulheres de um livro, e me emociono tanto com suas vitórias e perdas, frustrações e conquistas, receios e vontades, que me é muito difícil dizer “adeus”. Por conta disso, desenvolvi uma espécie de “síndrome das últimas páginas”. Não, isso não é patologia, mas talvez seja apenas uma característica minha. Só para explicá-la: essa “síndrome” seria uma forte sensação de perda daquelas vidas, assim que o livro vai chegando ao final. Sinto-me depressiva, mesmo sabendo que posso reler a história mil vezes. Aí entra a parte do “a primeira vez é sempre a melhor”. Na leitura isso dá muito certo.

Voltando aos meus questionamentos, será que a gente perde tempo vivendo uma história que não é nossa? Tal qual um expectador que não pode assumir papel de protagonista numa história, sinto-me perdida entre as palavras e a vida real. (Deve ser por isso que existem os detestáveis livros de auto-ajuda, porque existem pessoas como eu).

Argh! Amo a minha diferença, meu senso de “não ter senso de nada”. Eu me envolvo nos livros, me perco nas palavras, choro, rio, grito, sussurro, sempre acompanhando as palavras do autor. E as vezes me pergunto se tudo aquilo que sinto era mesmo para ser sentido, se minha interpretação não está incoerente com aquilo que haviam programado. Aliás, esse lance de interpretação é bem complicado; pessoas diferentes podem olhar pro mesmo lugar e ver coisas distintas. Interessante isso, não?

Enfim, amo ler. Mesmo misturando meus sentimentos com os fictícios (“sentimentos fictícios”???), mesmo sabendo que aquele mundo só terá vida até a última página – salvo livros com sequência - , ainda assim adoro as milhares de palavras que de algum modo me fazem sentir viva e feliz. Ah, não esquecendo – CLARO – do “final feliz”. Acho que é por isso que amo a leitura: porque ela me dá sempre a sensação de que, no fim, tudo acabará bem.

Cada ser humano tem uma história. O que você quer escrever no seu “livro da vida” hoje?

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