PEQUENO LEMBRETE DA MINHA INFÂNCIA QUERIDA

Esta semana, após a aquisição de uma impressora-escaner, comecei a rever fotos. Muitas imagens de minha infância, de momentos da minha infância, das pessoas da minha infância. Bateu-me uma saudade infinita dos meus avós e de quando eu passava as férias de junho na fazenda deles, acordando todos os dias às 5h da manhã, pegando meu copinho de alumínio com uma colherzinha de açúcar no fundo e indo ao curral onde meu vô, Saturnino, ordenhava uma vaca e eu bebia leite fresquinho. Na inocência de criança, eu ainda retirava uns pelinhos que insistiam em permanecer sobre a espuma. Muito bom!

Ainda tinha o São João nessa mesma fazenda – Nova Esperança – quando os amigos mais amigos se reuniam. Meu vô fazia fogueira e eu, juntos com os primos, assava milho verde e soltava bombinhas. No salão feito especialmente para isso, o forró era tocado e dançado até altas horas de uma madrugada. Foi lá que aprendi o pouco que sei sobre a dança e o muito que sei sobre pisão de pé.

Quando o verão chegava, pra mim que sempre fui a única criança da casa, era a melhor parte do ano. Minhas primas, Janaína e Joyce, vinham de Feira de Santana. Carlos, o filho do meu querido tio Carlinhos (Charles, para mim mesma) também se juntava à nós e era sempre aquela festa. Nessa mesma época meu tio trabalhava na Kibon e aí a gente se lambuzava de sorvete depois do almoço (“Só se comer tudinho”, dizia a tia Glória) e no lanche da tarde. Íamos dormir tarde falando abobrinhas e brincando de salada de fruta, usando páginas e páginas do caderno do ano passado. Nunca brigamos e, se o fazíamos, 5 minutos depois estávamos de bem e pronto!

Quando tinha festa lá em casa, amigos sempre especiais (Jorge e Ivonete meus queridos tios de coração, e seus filhos, meus primos George, Jofrei, Íris e Jessé) juntavam-se à nós e aí era uma confusão que nunca mais sairia da minha mente. Eu e o Jessé, quase da mesma idade, sempre inventávamos brincadeiras com os tererecos do meu pai.

Havia ainda meu querido primo Diego que sempre passava as férias dele, até os 16 anos, aqui em casa, fazendo companhia e permeando meu coração de amor. Amor que nunca disse, mas que sentia muito. Ainda o sinto, mas não posso dizer.

Quando tudo parecia normal, nascia em 1994 (meu presente de aniversário que esperei por 9 meses) Stephanie, minha prima e a filhada nunca batizada. Eu esperei ver um bebê lindo, mas vi um troço cheio de cabelo preto. Também nunca disse o quanto a amo. Preciso fazê-lo rápido!

Ah! Ainda havia meu ‘paraíso’: Bom Jesus dos Pobres. Era a viagem mais esperada do ano. Praia, cachoeira, pessoas diferentes e meus primeiros e inesquecíveis paqueras. Tio Chico e tia Neuza. Ímpares.

Sinto muita saudade de tudo aquilo, daquele clima onde tudo era novo e maravilhoso. Ainda sinto o cheiro da casa da minha avó, lembro de quando eu subia no pé de manga da frente e passava as tarde encarapitada, vendo os caminhões passar. Ou dos palitos de picolés que juntávamos, aqui em SSA, esperando ser premiado (apesar das caixas e caixas de sorvete no freezer). Passeios na praia, na Lagoa do Abaeté com minhas primas Adriana e Kércia, viagens à Aracaju – SE e nossos ‘Pré-Caju’.

Muitas brincadeiras e descobertas. Tudo isso pra chegar ao que sou. A quem sou. Apesar disso, sinto muita falta das pessoas daquela época e de como as coisas pareciam idílicas. Dos livros que lia e ficava fascinada. Da primeira escola fora do meu bairro. Do céu repleto de estrelas de quando eu deitava no chão, na fazenda, e passava horas admirando aquele cenário.

Nunca nada será como antes. Não sei se gostaria que fosse, mas se tivesse tal oportunidade, diria ao meu avô o quanto eu o amava ou curtiria mais momentos com meu irmão (e não quebraria as Barbies que ele me dava). Nunca quis ter a idade que não tinha; não queria ser mais velha quando era mais nova, tampouco mais nova agora que sou mais velha. Mas o cheiro da minha infância não sai do meu pensamento.

P.S.: algumas pessoas não foram supracitadas, mas ainda assim foram importantes/inesquecíveis para mim: tia Clara, prima Cacá, Sônia (minha quase mãe), minha madrinha Lourdes, minha colega de vôlei Chany, minha única amiga na rua Jucimeire, meus colegas de escola, minhas professoras Rute e Sônia e tantos outros. Sem esquecer, lógico, dos meus maiores professores: Maria e João. Meus amores, meus pais.

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