Gosto de chuva

Gosto da chuva. Os pingos cortando-me a face, tocando cada ponto do meu corpo, escorrendo por meu cabelo, orelhas, lábios. Eu adoro caminhar sob a chuva, sentindo a roupa pesada e a alma leve. E isso me traz tantas lembranças! Todas elas da infância, como sempre. De quando eu estava na casa dos meus avós e a chuva chegava enlameando tudo. Sempre corria para fora de casa, geralmente só de calcinha, e ficava pulando poças e mais poças de água barrenta. Era muito bom! Apesar da minha amidalite frequente quando criança, eu nunca tinha qualquer queixa de febre ou dor depois desses banhos demoradíssimos. É, acho que tudo é mesmo psicológico. É por isso que gosto tanto da chuva: faz-me recordar a infância, faz-me sentir em paz, sossegada com meus pensamentos.


Tanta gente foge à primeira gota d’água. Assim que sentem o primeiro pingo, se fecham ou abrem seus guarda-chuvas, ou correm para o primeiro abrigo seguro que encontram. Não sabem o que estão perdendo, as bobas. Vá lá que ir ao trabalho ensopado não é muito legal, mas ir para casa mais leve é sempre bom. Sempre relaciono isso ao amor. Muita gente foge dele antes mesmo de senti-lo, como querendo evitar ter as roupas molhadas ao acaso e depois muito trabalho para secá-las. Mas daqui que as pessoas descubram o quanto é bom, o verão já chegou...

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