De repente, não mais que de repente...
De repente acordei e comecei a pensar no que estou sentindo, no medo e pareceu-me uma idéia tão boba quanto sua própria origem.
Passou-me na mente a idéia de que a vida é tão cômica e nos ensina seus caminhos sempre fazendo que percamos o nosso.
Comecei a aspirar o idílico aroma do recomeço, de novas expectativas, de novas regras quebradas, de novos contos de amor.
Tentei levantar meu corpo pesado e como minh’alma estivesse tão leve fez-lo parecer mais fácil conseguir realizar essa tarefa; tal qual meu corpo, meu coração estava carregado com dúvidas e frustrações, e sinto-me agora flutuar sentindo o beijo tépido das possibilidades.
Já em pé, meus pés mal tocavam o chão e pareciam dançar conforme a música das ilusões que passaram.
Hoje sinto-me forte.
Aprendi que ainda posso sonhar e viver, cantar e amar...
E que só a mim resta ser eu.
Para aprender a sonhar, Vinícius de Moraes:
“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente”.
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