Ai, que saudades que sinto...

Inicio a semana em que completo 24 anos refletindo sobre alguns aspectos do que sou/fui. Lembro-me bem de quando era criança e sentia um friozinho na barriga só de imaginar passar as férias na fazenda dos meus avós, no interior. Deixava a minha falta de amigos, uma cidade perigosa e vizinhos fofoqueiros, para passar dias intermináveis acordando 5 da manhã para tomar leite recém tirado da vaca, banho de rio escondido ou simplesmente fazer piquenique com uma filha adotiva da minha avó. Era sempre muito bom! Corria, caía, levantava, tornava a correr.

Em outras épocas, a sensação era ir à casa de veraneio da minha tia numa cidadezinha do Recôncavo. Até hoje me lembro do cheiro da maresia e da praia longe, sem ondas. Acabei descobrindo cascatas, cachoeiras, pedras onde pular e lá eu fazia amigos – ainda que só por uns dias – que seria eternamente lembrados.

Hoje em dia essas lembranças passam na minha cabeça e sinto-me com muito mais idade que aquela que realmente tenho. Sinto falta de não me importar com a gritaria da minha família na época do Natal (coisas que hoje é algo quase que insuportável aos meus ouvidos). Lembro-me do meu querido avô e de como era bom estar ao seu lado, ainda que ele não fosse lá muito chegado a abraços. A casa de veraneio também continua lá, mas faz 10 anos que não voltei, desde o último verão, em 1998.

Estou começando a crer que nada mudou a não ser eu mesma. Estou mais velha, envelhecendo e deixando de ver sentido em coisas outrora idílicas para mim. A casa dos meus avós não tem mais o mesmo cheiro da minha infância, minha companheira casou, tem filho; minhas primas, eternas companheiras na casa de praia, casaram, moram fora. Parece que tudo desandou. Ou simplesmente esse é o preço de se viver? Aproveitar cada momento como se fosse o último porque, certamente, ele não voltará nunca mais?

É, meu amigos. Antes mesmo dos anos passarem, eu já gostava de um poema do Casemiro de Abreu chamado Meus Oito Anos e agora entendo o porquê.

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!

Texto completo no link: http://www.paralerepensar.com.br/cassimiro.htm

Aproveitem, meus caros amigos.

Aproveitem...

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