Eu quero ver o invisível..

Não. Não é necessidade de saciar algum tipo de sede ou vício. Não é birra ou desafio. Não é “questão de honra”. É algo que não sei explicar e que tem me dominado. Eu –ingênua! – que sabia controlar minhas emoções, agora me vejo suplicando à minha mente um autocontrole muitas vezes inútil. Eu, que outrora tinha tudo sob controle, não sei mais discernir o que sinto. Não controlo sequer meus pensamentos. Minha mente anda me traindo e estou em pânico só em pensar que meu coração pode acompanhá-la. Não julguei que isso fosse acontecer afinal todos dizem que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes. Isso me faz pensar em muitas coisas: o raio já caiu alguma vez? O que está acontecendo de fato? Meu estômago embola, meus joelhos cedem, minha mente flutua numa mistura de torpor e excitação. Meu corpo contrai, minha boca abre, meu coração dispara. Não sei identificar estes sinais; nem os meus nem os teus. “O que está acontecendo?”, eu me pergunto, “Não é como de outras vezes? Não é algo passageiro?”. Não consigo sentir isso. Não consigo pensar assim. Minha cabeça anda a mil, sem saber o que pensar. Nada faz com que eu consiga organizar meus pensamentos. Só me interessa saber de ti. Das tuas coisas, teus pensamentos. É tudo o que quero. Sinto raiva de mim! Tenho me traído! Mas como posso evitar, coração? Teus olhos antes, e agora teu cheiro. Ah!, teu cheiro! Perto de ti não sei o que fazer. Eu – demente! – que sabia sempre como agir, hoje me sinto criança. Boba ao lado teu. Sorridente, minúscula... Tudo culpa do teu riso! Ah!, teu riso... Sim. É tudo isso o que mais quero, além de ti. Quero, além do teu corpo, tua mente, tuas histórias, tuas fantasias, delírios, sonhos, defeitos. Não vou tentar mais entender os motivos que me levam a pensar em ti, coração. Vou apenas deixar que o barco corra embalado pelas marolas da vida. É. Vou deixar tudo assim como está, maravilhoso. Nada vou exigir ou pedir. Só teu riso e teu cheiro. Disso não abro mão.

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