Pra que isso, gente?!
Vi uma cena no carnaval desse ano e essa não sai da minha cabeça. As imagens insistem em invadir minha mente todos os dias. E isso me tem feito questionar os motivos pelos quais as pessoas sentem tanta raiva. Já não existe conversa, ponderação, humanidade. Alguém pisa no seu pé e o que você faz? Bate! Na cara de preferência, até o nariz sangrar, a polícia chegar, você se explicar e tudo ficar por isso mesmo. O culpado – que não é você, claro – sai todo ensangüentado, com seu saquinho de latinhas, rosto doído dos tapas e a alma completamente destroçada. O que ele fez??? Na mesma noite, traficantes e ladrões juntam-se ao mesmo ambiente e ninguém se sente incomodado. Vestidos de Gandhy, pagando suas cervejas e contando piadas sem graça. Ah, isso sim pode!
O símbolo da Justiça, vergonhosamente, é uma mulher usando venda. Ela não deveria ser para todos? O homem, com o saco de latinhas na mão (soube esse ano que o quilo do alumínio baixou de R$ 3,50 para R$ 1,00), não roubou nem traficou, mas apanhou – como diria minha mãe – mais do que mala velha e saiu depreciado. Os outros, porém, permaneceram ilesos mesmo sendo culpados de alguns crimes.
O ser humano sempre quer ter razão sobre o que faz e, por isso, sempre acha argumentos e defesa. Os simpatizantes da violência estão espalhados por aí, disfarçados de todo tipo de gente. Na novela “Caminho das Índias”, da Glória Perez tem um núcleo do qual o Zeca faz parte. Maldoso, mimado, egoísta e, além de mais alguns de milhões de defeitos, guarda ódio dentro de si. Seus pais são seus maiores defensores. Contam as cenas de agressão do filho tal como fossem cenas de algum filme de Hollywood. E quantos outros “Zecas” e “pais de Zecas” existem pelo mundo? Que defendem o mal, que são cultivadores de raiva. Prova disso é que, no blog da autora da novela, muitos pais e mães defendem o infeliz, dizendo que ele está certo em “não levar desaforo pra casa”. Deus do céu! É esse o mundo que queremos pros nossos filhos, netos, bisnetos? A idade média de vida aumentou surpreendentemente, mas é isso que vamos ter para o futuro?
Não bastasse a falta de compreensão, de ética, de amor e tudo o mais quanto é bom para uma convivência harmônica entre as pessoas, ainda teremos que nos preocupar em viver mais alguns anos vendo crianças estupradas, velhos espancados, pais de família honestos pagando por crimes que não cometeu, mães de crianças órfãs, adolescentes perdidos para o tráfico, jovens se digladiando num jogo de futebol.
Não. Esse não é o mundo que quero mostrar para meus filhos. Por esse motivo é que não quero ser mãe. As sementes do ódio e da raiva estão disponíveis para quem quiser cultivar. O que a maioria das pessoas não sabe é que amar é bem mais fácil e não pesa na consciência. Que praticar o bem é mais vantajoso, prazeroso e gostoso que bater em alguém. Tampouco as pessoas sequer conseguem imaginar como seria bom um mundo onde a vida fosse realmente tranqüila e as pessoas vivessem em paz.
A pergunta é: ainda dá tempo de fazer tudo isso? De se livrar de pensamentos ruins e começar a praticar o amor ao próximo? Se não fosse pelo ‘próximo longe’, ao menos fazer isso pelo ‘próximo próximo’. O mundo e seu futuro dependem do que fazemos hoje.
O que você fez hoje pelo bem? Que armas você usa pra conseguir isso? Pense bem. A vida é um eco e você sempre receberá aquilo que der. Reflita. Só depende de você. E de mim. E cada qual tem que fazer a sua parte. Começando hoje. Agora!
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