VIVA A DOR DO OUTRO! ESTA É A NOSSA DOR.
Muitas vezes fico me perguntando por que o ser humano tem sempre que pensar no mal, no ruim. Nós, seres humanos, tidos como inteligentes e racionais, não conseguimos pensar em coisas boas quando a situação se mostra delicada. Um exemplo clássico pode ser citado sem medo: um ente querido, que deveria chegar em casa por volta das 18:30, não chega e já são 19h! “Ó, Deus! Será que morreu? Sofreu um acidente terrível? Seqüestrado, assassinado brutalmente?”. Ou que também é corriqueira: o paquera disse que ia ligar no dia seguinte, mas já tem quase quatro dias e ele ainda não ligou. “Na certa esqueceu de mim ou está com outra mulher muito mais bonita, linda, inteligente...”. Por que não paramos para pensar coisas mais amenas, menos grosseiras à alma? Se seu ente não chegou no horário e você mora numa grande capital, há a hipótese – nada remota – do seu querido parente estar preso num terrível engarrafamento, sufocado com um dia de trabalho estressante e mais aquele trânsito caótico que virara uma rotina angustiante. Ou, se o cara não ligou, mil coisas podem ter acontecido: entre trabalho e estudo, sobra pouco tempo. Ele pensa em você, pensa em ligar, mas sempre existe uma tarefa por fazer e ele acaba adiando seu plano de ligar.
O que quero dizer é que na vida sempre existe mais de uma opção pras diversas situações em nossas vidas, mas somos forçados (por nós mesmos, diga-se de passagem) a pensar na pior. Isso me leva a crer que nós amamos a dor, não a física (todo mundo odeia bater o dedo mindinho no sofá), mas a dor da alma, o sofrimento do “adeus” que nem veio ou da perda. Adoramos chorar e dizer “não sei por que estou chorando”. Ora, se não tem motivo, então por que desperdiçamos nossas lágrimas? Será que é biológico? Ou será simplesmente que nossa cabeça está verdadeiramente voltada para o mal?
Acho que deveríamos olhar a vida por um diamante. Ela tem vários lados, várias faces. A verdade é que somos diferentes em muitos aspectos, mas acabamos nos revelando verdadeiros irmãos quando o assunto é sofrer. Compadecemo-nos com a dor e a perda do outro tal qual fosse nossa! Vemos uma notícia nos jornais de um crime “bárbaro” e ficamos ligados nisso, como se nossa vida fosse depender daquilo. E choramos e vibramos, a depender do desfecho. A dor do outro se torna a nossa dor como num passe de mágica. Difícil é compartilharmos a felicidade do outro. Casos bem sucedidos passam despercebidos pela nossa mente, mas é só envolver sangue, choro, sofrimento que logo voltamos toda a nossa atenção para o fato. Quem não ficou ligado no caso da Eloá? Quem não ficou esperando sempre pelo pior? Acho mesmo que foi tanta vibração para um desfecho shakespeariano que este acabou vindo com força total. E ainda foram ao enterro! Chorar e velar por um corpo de uma desconhecida “conhecida” somente porque acompanharam pela TV todos os passos do episódio. Li semana passada num fórum na Internet um cidadão brasileiro queixando-se da Naiara (amiga da Eloá), afirmando que ela foi muito insensível porque a amiga morreu e ela saiu rindo do hospital. É lógico que ela sorriu! Ela sobreviveu! Renasceu! Por que não celebrar a vida? Qual o problema nisso?
Isso só me fez crer que, de fato, os seres humanos compartilham da dor e não da sorte. Sempre me questionei sobre isso e hoje penso que seria melhor ter nascido numa família de cães ou gatos, ou pássaros, pelo menos não seria “racional”.
Comentários
Postar um comentário